Dor, escapes de urina e desconfortos íntimos não surgem do nada.

1/27/20261 min read

Existe um mito muito comum na saúde: a ideia de que o corpo “falha” de repente. Na prática clínica, vejo todos os dias que isso não acontece — especialmente quando falamos do assoalho pélvico.

Escapes de urina ao tossir, dores persistentes no baixo ventre ou desconfortos durante a intimidade raramente são eventos isolados ou consequências inevitáveis da idade. Esses sinais costumam ser o resultado final de um desequilíbrio construído silenciosamente ao longo dos anos.

O assoalho pélvico é um conjunto de músculos e ligamentos que sustenta órgãos vitais e participa de funções essenciais como continência, postura e sexualidade. Ele não entra em colapso sem aviso. O que acontece, na maioria das vezes, é uma soma de pequenos hábitos: posturas inadequadas mantidas por horas, excesso de pressão abdominal, estresse crônico e falta de consciência corporal.

O estilo de vida moderno tem um impacto direto nesse processo. Permanecer muito tempo sentada, curvada sobre o computador ou com o abdômen constantemente comprimido altera a biomecânica do quadril e sobrecarrega uma musculatura que deveria trabalhar em sinergia com a respiração e a coluna. Com o tempo, surgem fadiga muscular, microlesões e perda de funcionalidade.

Além disso, o fator emocional não pode ser ignorado. O estresse e a ansiedade frequentemente se manifestam como tensão constante no períneo. Um músculo que nunca relaxa também adoece. Essa hipertonia pode gerar dor pélvica, dificuldade de esvaziamento da bexiga e desconforto sexual — sintomas que muitas pessoas não associam ao estado emocional.

Outro ponto crítico é a falta de percepção corporal. Somos ensinados a fortalecer músculos visíveis, mas ignoramos aqueles que sustentam nossa qualidade de vida. Pequenos sinais, como urgência urinária frequente ou sensação de peso na região íntima, costumam ser normalizados até que o corpo “grite”.

Dor e escape nunca devem ser tratados como normais. O corpo sempre avisa antes de parar. Ouvir esses sinais e buscar orientação especializada é um ato de cuidado, autonomia e respeito com a própria história corporal.